Educação Financeira
Endividamento das famílias de BH está em queda. Veja motivos
O endividamento das famílias de BH apresentou redução pelo quinto mês consecutivo em maio de 2025.
De acordo com os dados mais recentes, essa tendência de queda se mostra consistente e pode se manter nos próximos meses, beneficiando diretamente os consumidores da capital mineira.
Segundo especialistas, fatores como melhora da renda, mercado de trabalho aquecido e maior planejamento financeiro têm contribuído para esse cenário positivo.
Tendência de queda no endividamento das famílias de BH
Primeiramente, é importante destacar que a taxa de endividamento das famílias de BH caiu 0,5 ponto percentual entre abril e maio, alcançando 86,4%.
Embora o número ainda seja elevado, a queda sucessiva mostra uma reversão na trajetória histórica de alta que vinha sendo registrada nos últimos anos.
Além disso, o percentual de consumidores com contas em atraso permaneceu praticamente estável, com 52% em maio, representando uma leve oscilação de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Embora esse dado ainda inspire atenção, a estabilidade indica uma maior organização no pagamento das dívidas.
A melhora surpreendente no início do ano
Sobretudo, a consultora financeira Paloma Andrade destaca que esse movimento de queda é ainda mais relevante por ter se iniciado em janeiro.
Normalmente, os primeiros meses do ano costumam ser críticos para o orçamento familiar, com despesas como IPTU, IPVA, material escolar e outras contas sazonais.
No entanto, o endividamento das famílias de BH contrariou esse comportamento histórico e começou a cair justamente nesse período.
“Esse cenário está sendo mantido desde o início do ano, então já estamos com uma perspectiva muito boa”, afirma a economista.
Veja o trabalho de Paloma Andrade nas redes sociais @palomafinancas e tenha mais dicas.
Mais famílias quitando dívidas
Por outro lado, houve uma redução no número de famílias que não conseguirão pagar suas dívidas no mês seguinte.
Em abril, esse grupo representava 23,8%, enquanto em maio passou para 21,3%. Essa queda reflete maior controle sobre as finanças e capacidade de planejamento a curto prazo.
Ainda sobre os consumidores mais vulneráveis, a quantidade de famílias superendividadas caiu de 27,6% para 24,8%.
Esses são os lares com mais de 50% da renda comprometida com dívidas. Ou seja, houve uma melhora significativa na saúde financeira dessas famílias, que passaram a usar menor parte da renda com dívidas.
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Mercado de trabalho e renda impactam positivamente
Nesse contexto, a melhora no mercado de trabalho tem sido um dos principais fatores responsáveis pela redução no endividamento das famílias de BH.
O Brasil terminou o primeiro trimestre de 2025 com uma taxa de desocupação de 7%, o menor índice para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.
Ademais, o rendimento médio do brasileiro também bateu recorde. Em 2024, a média foi de R$ 3.057, o maior valor da série histórica, superando inclusive o recorde de 2014.
“Com renda disponível, as famílias têm a capacidade de fazer suas compras à vista, o que gera impacto no nível de endividamento”, reforça Paloma Andrade.
Além disso, o aumento de renda permite que as famílias consigam manter os pagamentos em dia, reduzindo o volume de dívidas em atraso.
“Quanto mais o mercado de trabalho está aquecido, mais o salário tende a aumentar”, complementa a especialista.
Endividamento das famílias de BH é declarado pelos próprios consumidores
De acordo com a pesquisa, 45,4% dos consumidores de Belo Horizonte se consideram pouco endividados.
Esse número mostra uma percepção positiva em relação ao próprio orçamento. Por outro lado, o grupo que se declara muito endividado caiu de 17,9% para 13,4% entre abril e maio.
Esses dados são relevantes porque demonstram uma mudança no comportamento do consumidor.
As dívidas mais mencionadas são aquelas relacionadas a cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos e seguros.
Queda nas dívidas com cartão de crédito
Apesar do cartão de crédito ainda ser o principal vilão do orçamento familiar, houve uma queda no número de famílias endividadas com esse meio de pagamento.
Em abril, 95,6% das famílias usavam o cartão como forma de endividamento. Em maio, esse número caiu para 94,2%.
Entre os que ganham até 10 salários mínimos, a redução foi de 95,0% para 93,7%. Já nas famílias com renda superior a esse valor, a queda foi de 99,6% para 97,0%.
Embora os índices ainda sejam altos, a redução é um sinal claro de cautela no uso do crédito rotativo, conhecido pelas suas elevadas taxas de juros.
Redução também nas dívidas com carnês
Em relação aos carnês, também houve melhora. Entre as famílias de menor renda, as dívidas caíram de 33,6% para 30,2%.
Já nas famílias com maior renda, a queda foi de 19,9% para 19%. Esse movimento pode estar associado à opção por compras à vista ou por formas de financiamento com juros mais baixos.
Contas em atraso ainda preocupam
Apesar das melhoras, as contas atrasadas seguem preocupando uma parcela significativa das famílias.
Em maio, 44,5% das famílias afirmaram que as dívidas ultrapassavam 90 dias de vencimento. Esse dado mostra que a inadimplência ainda é uma realidade para muitos consumidores.
O tempo médio de atraso nas dívidas foi de 61,8 dias. Já o período médio de comprometimento de renda com dívidas caiu de 7,9 meses para 7,7 meses entre abril e maio.
Essa queda, ainda que pequena, reflete um esforço gradual das famílias em reduzir o tempo das parcelas assumidas.
Educação financeira e planejamento fazem diferença contra o endividamento das famílias de BH
Por fim, a queda no endividamento das famílias de BH também pode ser explicada por uma maior conscientização em relação à educação financeira.
Com acesso à informação e com o aumento de campanhas educativas, os consumidores passaram a planejar melhor suas finanças, evitando compras por impulso e priorizando o pagamento de dívidas.
Aliás, ações de orientação promovidas por consultores e educadores financeiros têm se mostrado eficazes.
Muitos consumidores estão buscando ajuda especializada para organizar o orçamento, renegociar dívidas e criar uma reserva de emergência, garantindo maior estabilidade ao longo do tempo.
Endividamento das famílias de BH e perspectivas futuras
Atualmente, o endividamento das famílias de BH mostra sinais concretos de melhora, com uma tendência de continuidade nos próximos meses.
Caso o cenário econômico nacional se mantenha estável, com inflação sob controle e mercado de trabalho aquecido, a expectativa é que cada vez mais famílias consigam equilibrar suas finanças.
Portanto, embora o caminho ainda exija atenção e disciplina, os dados revelam que Belo Horizonte está trilhando uma rota positiva em direção à redução do endividamento familiar.
Para manter esse movimento, será essencial investir continuamente em educação financeira, políticas públicas de apoio ao crédito consciente e geração de emprego.
Em resumo, o endividamento das famílias de BH, apesar de ainda presente, está recuando mês após mês, com base em indicadores objetivos e na percepção dos próprios consumidores.
Com renda crescente, menor uso do crédito e maior organização, o futuro financeiro das famílias belo-horizontinas tende a ser mais saudável e sustentável.
Perguntas frequentes
- Qual foi a principal tendência observada no endividamento das famílias de BH?
Em primeiro lugar, a principal tendência é a queda contínua no endividamento pelo quinto mês seguido, iniciada ainda em janeiro. - O que contribuiu para a redução do endividamento em BH?
Além disso, o aumento da renda média e a melhora no mercado de trabalho foram fatores decisivos para essa redução. - As dívidas com cartão de crédito também diminuíram?
Sim, inclusive, houve recuo no uso do cartão de crédito, tanto em famílias com renda mais baixa quanto naquelas com renda superior a 10 salários mínimos. - A inadimplência ainda é um problema para os consumidores da capital?
No entanto, as contas em atraso continuam preocupando, especialmente aquelas com mais de 90 dias vencidas, embora o tempo médio de atraso tenha diminuído. - Quais hábitos têm ajudado as famílias a se organizarem financeiramente?
Por fim, o maior acesso à educação financeira, o planejamento do orçamento e a renegociação de dívidas têm sido atitudes fundamentais para melhorar a situação.