Educação Financeira
Contas em atraso disparam e Brasil tem milhões de negativados. Saiba o que fazer
O número de contas em atraso vem crescendo rapidamente no Brasil, preocupando famílias e especialistas em finanças.
Segundo dados recentes, o país encerrou o primeiro semestre de 2025 com 60 milhões de negativados, um aumento de 5,5% em relação ao fim de 2024.
Além disso, na comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta chega a 10,8%. Esses números mostram que a inadimplência segue em alta e afeta diretamente o poder de compra e o acesso ao crédito da população.
De acordo com a Pnad Contínua do segundo trimestre de 2025, o Brasil tem cerca de 174 milhões de pessoas em idade de trabalhar, e, desse total, 34,5% estão inadimplentes.
Ou seja, mais de um terço da população economicamente ativa enfrenta dificuldades para pagar suas dívidas em dia.
Crescimento preocupante do número de negativados
Além do aumento das contas em atraso, o levantamento aponta que o índice de inadimplência — que considera atrasos acima de 90 dias — chegou a 6,2% em junho de 2025.
Embora o dado mostre uma leve queda de 0,7% em comparação anual, houve um aumento de 0,2% em relação ao final de 2024.
Por outro lado, os pedidos de crédito dispararam. Nos primeiros seis meses de 2025, foram registrados mais de 450 milhões de solicitações de crédito, o que representa um salto de 160% em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, 92 milhões de consumidores obtiveram 124 milhões de novas linhas de crédito.
Como evitar o efeito bola de neve das contas em atraso
Muitos brasileiros caem na chamada “bola de neve” do endividamento, especialmente com o rotativo do cartão de crédito, que tem juros elevados.
Segundo a consultora financeira Paloma Andrade “Pagar as contas em dia é a regra número um, mas nem sempre é fácil diante das altas taxas de juros e da inflação.”
“Fazer um orçamento se seguir é de extrema importância”, diz a especialista.
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Por isso, é essencial renegociar as dívidas sempre que possível. Diversas instituições financeiras oferecem descontos para pagamento à vista ou alongamento dos prazos.
Além disso, empréstimos com juros menores podem ser usados para quitar dívidas caras, reduzindo o impacto no orçamento.
Outra dica é aprender a diferença entre juros simples e juros compostos. O desconhecimento desse conceito faz muitos brasileiros acumularem dívidas sem entender como os valores crescem rapidamente.
Mais crédito, mais endividamento
Entretanto, o aumento de crédito disponível não necessariamente significa uma melhora na saúde financeira das famílias.
Em junho, o país registrou 375,6 milhões de empréstimos ativos, distribuídos entre 173 milhões de consumidores.
O número mostra que muitos brasileiros continuam recorrendo a novos créditos para pagar dívidas antigas, o que contribui para o aumento das contas em atraso.
Além disso, o total de negativações chegou a 169,5 milhões no período, um crescimento de 12,5% em relação a junho de 2024 e de 6% em relação a dezembro do mesmo ano. Esses dados reforçam que o endividamento continua sendo um desafio estrutural no Brasil.
Contas em atraso e o impacto nas famílias
De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), a proporção de famílias com contas em atraso subiu de 30% em julho para 30,4% em agosto, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010.
Além disso, o percentual de famílias com contas a vencer aumentou pelo sétimo mês consecutivo, chegando a 78,5%, o maior patamar desde novembro de 2022.
Esses números indicam que o brasileiro está com 74% da renda comprometida com dívidas — incluindo cartões de crédito, financiamentos e empréstimos pessoais.
O papel do score de crédito no contexto das contas em atraso
Outro ponto importante é o score de crédito, que reflete a capacidade de um consumidor de pagar suas contas em dia. No Brasil, a pontuação média é de 531 pontos em uma escala de 0 a 1000.
Para definir o score, são analisados dados do Cadastro Positivo e do Banco Central, considerando a regularidade nos pagamentos.
Assim, quem paga em dia contas de aluguel, energia, celular, água, gás ou streaming tende a ver a pontuação aumentar.
Entretanto, atrasar pagamentos e buscar mais crédito enquanto já está endividado podem derrubar a pontuação rapidamente.
Quanto menor o score, maiores as chances de enfrentar juros altos e dificuldades para obter novos empréstimos.
Pix Parcelado e novas alternativas de crédito
De acordo com especialistas, o Pix Parcelado, em desenvolvimento pelo Banco Central, pode se tornar uma ferramenta importante para reduzir os juros cobrados.
Atualmente, cinco grandes bancos concentram 80% dos empréstimos no Brasil, o que dificulta o acesso a crédito mais barato.
Com a chegada do Pix Parcelado, espera-se que haja maior descentralização da concessão de crédito, ampliando a concorrência e, consequentemente, reduzindo custos para o consumidor.
Essa nova modalidade pode ser uma alternativa para quem busca reorganizar suas contas em atraso de forma mais sustentável, sem depender exclusivamente dos grandes bancos.
Como retomar o controle financeiro e sair das contas em atraso
Em primeiro lugar, é fundamental listar todas as dívidas e identificar aquelas com maiores juros. Depois, o ideal é negociar com os credores e buscar educação financeira para evitar novos atrasos.
Além disso, ferramentas digitais e aplicativos de controle financeiro ajudam a visualizar melhor o orçamento, permitindo acompanhar gastos em tempo real.
Por fim, manter um planejamento mensal e criar uma reserva de emergência são passos indispensáveis para quem deseja sair do vermelho e evitar o retorno das contas em atraso.