Mercado
Recuperação judicial da Braskem (BRKM5) vai acontecer? Veja
Nos últimos meses, o mercado financeiro tem acompanhado com atenção os desdobramentos em torno da Recuperação judicial da Braskem (BRKM5).
A maior petroquímica da América Latina enfrenta uma crise severa, marcada por queda de receita, endividamento elevado e forte pressão de investidores e agências de rating.
Diante desse cenário, investidores buscam entender se a empresa conseguirá se reerguer apenas com reestruturações financeiras ou se será inevitável entrar com pedido formal de recuperação judicial.
Pressão crescente sobre as ações BRKM5
Antes de mais nada, é importante destacar que os papéis da Braskem (BRKM5) vivem forte volatilidade.
Após o anúncio da contratação de consultores financeiros e jurídicos para revisar sua estrutura de capital, os investidores reagiram de forma negativa.
Logo depois, a situação se agravou quando a S&P Global Ratings rebaixou o rating da companhia de “B+” para “CCC-”, com perspectiva negativa.
Consequentemente, o movimento impactou diretamente as ações. Apenas em 2025, a desvalorização já supera 40%, colocando BRKM5 entre os piores desempenhos da Bolsa.
Isso reforça as incertezas sobre a saúde financeira da companhia e abre espaço para especulações sobre uma possível Recuperação judicial da Braskem.
Veja também:
- Como ganhar dinheiro com milhas. Clique aqui e veja essas dicas!
- Como ter desconto na conta de luz? Clique aqui e veja como ganhar 15%!
- Independência Financeira: Especialista dá dicas para um planejamento financeiro!
O que dizem os analistas sobre a Recuperação judicial da Braskem
De acordo com relatórios recentes do JPMorgan, a Braskem opera com alavancagem considerada insustentável, chegando a 10,5 vezes.
A dívida líquida pode alcançar US$ 8,6 bilhões até o fim de 2025, o que pressiona fortemente o caixa da empresa.
Por isso, analistas avaliam que a Recuperação judicial da Braskem ainda não é o cenário-base, mas não pode ser descartada.
Para o banco, reduzir a dívida para níveis sustentáveis exigiria um corte superior a 50%. Nesse contexto, a presença da Petrobras como acionista relevante ajuda a reduzir riscos, já que pode contribuir para uma renegociação mais organizada com credores.
Além disso, mais de 80% da dívida está concentrada em títulos internacionais sem garantia, o que torna as negociações ainda mais complexas.
Por outro lado, também abre espaço para discussões estruturadas, já que credores internacionais têm interesse em evitar perdas maiores.
A visão das agências de rating
Entretanto, a situação da petroquímica se complicou ainda mais após cortes sucessivos nas notas de crédito.
Tanto a Fitch quanto a S&P reduziram a classificação da Braskem para níveis que refletem alto risco de inadimplência.
Assim, o rebaixamento para CCC- pela S&P, com perspectiva negativa, foi interpretado como sinal de que a empresa pode não conseguir evitar a reestruturação formal.
A Fitch, por sua vez, reforçou que o endividamento elevado e a queda nos preços do setor petroquímico comprometem a capacidade de pagamento no médio prazo.
Portanto, os ratings indicam que os credores devem se preparar para cenários desafiadores, incluindo a possível Recuperação judicial da Braskem.
Mais que reestruturação: os desafios da Braskem
Contudo, especialistas lembram que apenas a revisão da estrutura de capital não será suficiente. O Bradesco BBI, por exemplo, reforça que “não existe bala de prata” para resolver os problemas.
Nesse sentido, outras medidas se fazem necessárias:
- Corte de custos operacionais para aliviar margens.
- Venda de ativos estratégicos para reduzir o endividamento.
- Renegociação de contratos de matérias-primas, que têm pesado nas despesas.
- Possível oferta de ações, ampliando a capitalização da companhia.
Adicionalmente, tramita no Congresso o Projeto de Lei 892/2025 (Presiq), que concede créditos tributários à indústria química.
A expectativa é que o programa gere até US$ 500 milhões por ano em Ebitda até 2026. No entanto, mesmo aprovado, especialistas destacam que o impacto seria limitado diante do tamanho da dívida da empresa.
O que esperar das ações BRKM5 após a possível recuperação judicial da Braskem
Por outro lado, bancos como UBS BB alertam que a curto prazo a Braskem depende de medidas emergenciais, como tarifas de importação mais altas e aprovação do Presiq. Sem isso, o risco de Recuperação judicial da Braskem cresce ainda mais.
Atualmente, BRKM5 acumula perdas de mais de 39% apenas em 2025. Em 12 meses, a queda chega a 63%.
Do ponto de vista técnico, o papel segue pressionado, com Índice de Força Relativa (IFR) em 33 pontos, próximo da zona de sobrevenda. Isso pode abrir espaço para pequenas correções, mas sem alterar a tendência de baixa predominante.
Situação dos títulos internacionais da Braskem
Enquanto isso, os títulos da companhia no exterior continuam negociados com grandes descontos.
O JPMorgan projeta que a maioria dos bonds permanecerá na faixa de US$ 43 a US$ 45,75. Alguns papéis, como os híbridos de 2081, já estão sendo negociados a apenas US$ 5.
Nesse cenário, o banco reduziu a recomendação de compra para neutra, afirmando que não há clareza suficiente sobre os próximos passos da companhia. Isso reforça a percepção de que os credores seguem atentos à possibilidade de Recuperação judicial da Braskem.
Recuperação judicial da Braskem: vai acontecer?
Em resumo, a Braskem enfrenta uma crise de grandes proporções, marcada por dívida elevada, ratings rebaixados e ações em queda livre.
Embora a Recuperação judicial da Braskem ainda seja vista como último recurso, analistas não descartam essa possibilidade caso medidas emergenciais não sejam tomadas rapidamente.
Portanto, investidores devem acompanhar de perto os desdobramentos sobre renegociações de dívidas, possíveis vendas de ativos e a tramitação do Presiq.
Afinal, o futuro da BRKM5 dependerá diretamente da capacidade da companhia em ajustar sua estrutura financeira e reconquistar a confiança do mercado.
Perguntas frequentes
Atualmente, não. A companhia apenas contratou consultores financeiros e jurídicos para revisar sua estrutura de capital.
O alto endividamento, estimado em mais de US$ 7 bilhões, aliado à queda nas margens do setor petroquímico.
Eles avaliam que ainda é último recurso, mas a situação financeira aumenta o risco de que o pedido aconteça.
O programa pode gerar até US$ 500 milhões por ano, mas é insuficiente sozinho para resolver os problemas estruturais da empresa.
As ações acumulam queda superior a 40% em 2025 e seguem em tendência de baixa, mesmo com possibilidade de pequenas recuperações de curto prazo.