Mercado
Demissões na Gerdau: Empresa explica os motivos. Veja quais
As demissões na Gerdau estão movimentando o setor siderúrgico nacional e gerando discussões sobre competitividade, políticas públicas e proteção ao mercado interno.
A gigante brasileira do aço, com atuação sólida no país há décadas, enfrenta agora um cenário desafiador com 1.500 desligamentos em 2025, concentrados principalmente nas unidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, ambas em São Paulo.
De acordo com a própria empresa, o problema não vem do exterior, com medidas como o tarifaço de Donald Trump, mas sim do aumento expressivo de aço importado, especialmente da China, entrando no Brasil de forma considerada desleal.
Aço chinês prejudica competitividade da Gerdau
Primeiramente, é importante destacar que, segundo o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, a entrada de aço chinês no Brasil ocorre de forma “não isonômica e predatória”.
Essa prática, segundo ele, prejudica a produção nacional ao permitir que o produto importado seja comercializado a preços extremamente baixos, o que inviabiliza a competição em condições justas.
Além disso, Werneck afirmou que a situação atual tem gerado pressão interna na empresa, levando à necessidade de revisão de investimentos e à adoção de medidas mais drásticas, como os desligamentos.
Ele afirma com clareza: “Não tem sentido continuar investindo no Brasil, porque o governo não faz a proteção ideal do mercado”.
Veja também:
- Como ganhar dinheiro com milhas. Clique aqui e veja essas dicas
- Como ter desconto na conta de luz? Clique aqui e veja como ganhar 15%!
- Independência Financeira: Especialista dá dicas para um planejamento financeiro!
Redução de investimentos no Brasil após as demissões na Gerdau
Consequentemente, a Gerdau começou a reavaliar todos os seus projetos futuros. Embora tenha mantido o plano atual de investir R$ 6 bilhões em 2025, sendo dois terços desse montante no Brasil, a continuidade desses aportes dependerá de mudanças no ambiente de negócios nacional.
Adicionalmente, os recursos ainda em curso estão sendo direcionados principalmente para projetos de mineração em Minas Gerais, área estratégica para a companhia.
Os aportes previstos nos Estados Unidos, por outro lado, serão mantidos sem alterações, devido ao ambiente mais estável e favorável para os negócios naquele país.
Governo não atuou com firmeza, segundo a empresa
De acordo com a empresa, medidas adotadas até o momento pelo governo brasileiro não têm sido suficientes para conter a concorrência desleal.
Werneck argumenta que o Brasil sempre conviveu com a presença de importados no setor, mas o crescimento da participação do aço estrangeiro no mercado interno atingiu patamares alarmantes.
Atualmente, os produtos importados já correspondem a 30% do mercado brasileiro de aço, contra menos de 11% em anos anteriores.
Essa fatia é dominada quase inteiramente por aço chinês, comercializado com práticas condenadas em outros países, como o dumping — quando os preços de exportação são artificialmente baixos.
Além disso, Werneck mostrou-se decepcionado com a última reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), ocorrida em 24 de julho.
Na ocasião, o setor esperava que fossem aumentadas as tarifas sobre produtos chineses, já sob investigação por concorrência desleal. No entanto, as tarifas não foram reajustadas, frustrando os empresários brasileiros.
Desigualdade no ambiente de negócios preocupa a diretoria
Outro ponto importante é a comparação entre os ambientes de negócios no Brasil e nos Estados Unidos.
O CFO da empresa, Rafael Japur, reforça que os investimentos no exterior continuarão, pois o cenário norte-americano oferece segurança jurídica, previsibilidade e proteção de mercado.
Segundo ele, no Brasil, a situação é outra. O ambiente está cada vez mais hostil para quem produz. Ele ressalta que 40% do aço comercializado pela Gerdau no país é destinado à construção civil, que ainda mantém uma demanda aquecida.
No entanto, os demais setores consumidores — como automotivo, automação e máquinas — foram diretamente afetados pela política comercial internacional, inclusive o tarifaço de Trump.
Portanto, mesmo com parte da produção ainda sendo absorvida pelo mercado interno, a queda de competitividade se tornou insustentável, forçando a empresa a adotar medidas impopulares, como as demissões em massa.
Resultados mostram resiliência, mas com sinais de alerta
Apesar das dificuldades, a Gerdau apresentou lucro líquido de R$ 864 milhões no segundo trimestre de 2025.
Esse número representa um crescimento de 14% em relação ao trimestre anterior, mas ainda assim uma queda de 8,6% se comparado ao mesmo período de 2024.
Além disso, a receita líquida aumentou 5,5% na comparação anual, atingindo R$ 17,5 bilhões. Esses dados mostram que a companhia ainda consegue se manter lucrativa, porém a pressão de custos e a competição desleal começam a afetar as margens e a capacidade de investimento.
Dessa forma, os desligamentos e cortes de investimento não são apenas decisões operacionais, mas refletem uma estratégia de sobrevivência em meio a um mercado cada vez mais desbalanceado.
Futuro depende da atuação do governo brasileiro
Em função desse cenário, a Gerdau decidiu que os investimentos nos próximos anos serão reavaliados com base no comportamento do governo.
Caso medidas mais eficazes de proteção ao mercado não sejam adotadas, a tendência é de que mais demissões ocorram e que parte da produção seja transferida para o exterior, onde a empresa possui plantas industriais consolidadas.
Nesse contexto, a companhia reitera seu desejo de competir de forma justa, sem favorecimentos, mas com condições mínimas de igualdade.
Werneck destaca que não há problemas com concorrência internacional, desde que ela ocorra sob as mesmas regras. O problema, segundo ele, é o tratamento desigual.
Portanto, a continuidade das operações brasileiras em sua atual estrutura dependerá fortemente das decisões governamentais nos próximos meses.
A expectativa da empresa é de que o governo adote mecanismos de defesa mais eficazes para garantir a manutenção de empregos e da produção nacional.
Reações no setor e preocupações sociais com as demissões na Gerdau
Imediatamente após o anúncio das demissões na Gerdau, sindicatos e representantes dos trabalhadores demonstraram forte preocupação.
As 1.500 demissões afetam diretamente centenas de famílias e geram impactos sociais em municípios com grande dependência da atividade siderúrgica.
Além disso, especialistas apontam que a perda de postos de trabalho em setores industriais estratégicos pode ter efeitos de longo prazo na economia brasileira.
O enfraquecimento da indústria nacional, especialmente em áreas como a siderurgia, reduz a capacidade de gerar empregos qualificados e de garantir autossuficiência produtiva em momentos de crise global.
Dessa maneira, cresce a pressão para que o governo federal adote medidas urgentes de apoio ao setor.
Entre elas, estão o aumento das tarifas de importação, subsídios temporários à produção nacional, e incentivos à inovação tecnológica nas empresas brasileiras.
Demissões na Gerdau e o impacto no desenvolvimento econômico
As demissões na Gerdau não representam apenas uma reestruturação empresarial. Elas são o reflexo de uma conjuntura econômica desfavorável, agravada pela ausência de uma política industrial consistente.
A empresa, que historicamente contribuiu para o desenvolvimento nacional, agora vê-se diante de um impasse: investir no Brasil ou redirecionar seus esforços para mercados mais protegidos.
Ao mesmo tempo, o caso serve de alerta para outros setores produtivos. Se medidas estruturais não forem tomadas rapidamente, outras indústrias podem seguir o mesmo caminho, reduzindo operações, cortando investimentos e promovendo demissões em larga escala.
Portanto, o debate em torno da entrada de aço importado, da atuação do governo e da capacidade de o país reter empresas estratégicas precisa ser ampliado e aprofundado.
O momento exige diálogo entre iniciativa privada, sociedade civil e Estado para que soluções sustentáveis e equilibradas sejam encontradas.
Perguntas Frequentes
Porque a empresa está enfrentando forte concorrência do aço importado, especialmente da China, com preços desleais.
Foram aproximadamente 1.500 demissões em 2025, principalmente em Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, SP.
A Gerdau espera proteção ao mercado interno, com tarifas mais eficazes e combate à concorrência predatória.
Por enquanto, os investimentos em curso seguem, mas os futuros estão sendo reavaliados.
A decisão sobre manter operações no Brasil dependerá do ambiente de negócios e da atuação do governo.