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O aprendizado de uma nova língua e sua influência no fortalecimento cerebral
No mundo cada vez mais exigente, veloz e conectado, encontrar maneiras de manter o cérebro ativo e saudável se tornou um desafio.
Praticar exercícios físicos e se alimentar bem já são amplamente reconhecidos como hábitos essenciais para o cuidado com o corpo. Mas e a mente? Assim como os músculos do corpo humano, o cérebro também pode ser fortalecido com estímulos.
É uma modalidade que desempenha um papel muito importante nesse processo é o aprendizado de um novo idioma — uma atividade acessível, eficaz e com benefícios de longa duração.
De acordo com o Annals of Neurology e Journal of Neurolinguistics, pessoas bilíngues têm ganhos consideráveis no que diz respeito à memória, atenção e capacidade de alternar tarefas.
De acordo com a Universidade York, no Canadá, isso está ligado ao “controle inibitório” – que diz respeito às capacidades executivas do cérebro.
Além desses ganhos imediatos, o bilinguismo também está associado a benefícios de longo prazo, como o retardamento do Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas.
É o que aponta o estudo da Universidade de Edimburgo na Escócia. Um estudo promovido por essa instituição revelou que pessoas bilíngues apresentaram uma demora de 4 a 5 anos a mais para manifestar os primeiros sintomas do Alzheimer.
Estudos também apontam o aprendizado de uma nova língua como um fator relevante no desenvolvimento da neuroplasticidade – capacidade de adaptação do cérebro a diferentes estímulos neurais – algo fundamental para o aprendizado contínuo e controle de danos nas lesões cerebrais.
Para se ter uma noção, quando aprendemos novas estruturas gramaticais ou sons que não existem em nossa língua materna, o cérebro cria novas conexões entre neurônios.
É como se estivéssemos abrindo rotas alternativas num mapa mental. Isso fortalece não só o aprendizado de idiomas, mas também a capacidade de adaptação e de raciocínio lógico.
O aprendizado de uma nova língua também traz impactos positivos na autoestima e na sensação de realização pessoal. Alcançar a fluência ou conseguir manter um papo em outro idioma aumenta a confiança, diminui a ansiedade e fortalece o senso de autonomia. Isso vale tanto para jovens em formação quanto para adultos em transição de carreira ou em busca de novos desafios pessoais.
Além dos efeitos observados em adultos, o bilinguismo também oferece vantagens significativas para as crianças. Entre elas, estão os já mencionados ganhos na concentração e melhora na capacidade de resolução de problemas. Ele atua também no desenvolvimento das habilidades metalinguísticas (ou seja, refletir sobre a linguagem em si).
Também contribui para que as crianças desenvolvam maior empatia cultural e flexibilidade cognitiva, ou seja, a capacidade de se adaptar a diferentes contextos e formas de pensar. Esses benefícios não se limitam à fase escolar: acompanham o indivíduo ao longo da vida e são altamente valorizados no século XXI, sobretudo em contextos sociais e multiculturais.
O bilinguismo ao redor do mundo
Uma estimativa aponta que mais de 40% da população mundial seja bilíngue. Isso significa que quase metade das pessoas do planeta falam mais de uma língua!
Esse número cresce ainda mais em regiões específicas, como a Europa. Lá esse número ultrapassa a marca dos 60%.
Portanto, todos esses números atestam não só a capilaridade dessa habilidade em boa parte da população mundial, indo além dos seus benefícios imediatos, como a comunicação: o bilinguismo promove benefícios cognitivos invejáveis.
Em suma, aprender uma nova língua permite ampliar a compreensão sobre valores, costumes e estilos de vida diferentes.
Isso extrapola a comunicação literal e estimula uma visão de mundo mais ampla e plural. O bilinguismo favorece a empatia cultural e a tolerância à diversidade.
Em um mundo interconectado, o bilinguismo passou de diferencial a competência essencial em múltiplas esferas da vida social e profissional.
Isso é valorizado tanto por indivíduos quanto por empresas inseridas em contextos internacionais e multiculturais.
Portanto, o aprendizado de uma nova língua é uma ponte para a inclusão e o diálogo global, quebrando barreiras tanto culturais quanto profissionais.
Por tudo isso, considerar aprender um novo idioma vai além da ampliação das possibilidades de interação cultural. Seja por interesse pessoal, profissional ou por meio de uma escola de idiomas, trata-se de um investimento em saúde — no curto e também no longo prazo.
Fontes:
- Bialystok, E., Craik, F. I. M., & Freedman, M. (2007). Bilingualism as a protection against the onset of symptoms of dementia. Neuropsychologia, 45(2), 459–464. Link
- Abutalebi, J., Canini, M., Della Rosa, P. A., Green, D. W., & Weekes, B. S. (2015). The neuroprotective effects of bilingualism upon the inferior parietal lobule: a structural neuroimaging study in aging Chinese bilinguals. Journal of Neurolinguistics, 33, 3–13. Link
Bak, T. H., Nissan, J. J., Allerhand, M. M., & Deary, I. J. (2014). Does bilingualism influence cognitive aging?. Annals of Neurology, 75(6), 959–963. Link