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Mercado projeta inflação de 5,51% em 2025, superando limite da meta pelo segundo ano consecutivo
A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2025 continua em trajetória ascendente, atingindo 5,51%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central. A nova projeção, que representa a 16ª semana consecutiva de alta, ultrapassa significativamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 4,5%.
O cenário preocupa especialmente porque, há apenas um mês, a previsão era de 4,99%, evidenciando uma deterioração acelerada das expectativas inflacionárias. Para 2026, os analistas também elevaram suas projeções de 4,22% para 4,28%, sinalizando que a pressão sobre os preços deve persistir no médio prazo.
Em resposta a este quadro, o Banco Central mantém uma postura austera na política monetária, com a taxa Selic em 13,25%, após quatro aumentos consecutivos. O mercado prevê que a taxa básica de juros chegará a 15% até o final de 2025, permanecendo em patamares elevados para conter as pressões inflacionárias.
O cenário macroeconômico mais amplo mostra que, apesar das pressões inflacionárias, a economia brasileira deve manter um ritmo moderado de crescimento, com projeção de expansão do PIB em 2,06% para 2025. No mercado cambial, a expectativa é que o dólar permaneça cotado a R$ 6,00 ao longo do ano.
As projeções de longo prazo indicam uma gradual convergência da inflação para a meta, com estimativas de 3,9% para 2027 e 3,74% para 2028, ainda que acima do centro da meta de 3%. Este cenário sugere que o processo de desinflação da economia brasileira deve ser mais lento do que o inicialmente previsto.
O desafio para a política monetária torna-se ainda mais complexo diante da necessidade de equilibrar o controle inflacionário com o estímulo à atividade econômica, considerando que as altas taxas de juros têm impacto direto sobre o crédito, a produção e o consumo no país.