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Educação Financeira

Eleição de Lula não deverá impactar o mercado financeiro

Filipe Andrade

Publicado

em

Paridade de preços: Petrobras faz importante anúncio

Diferente da opinião de alguns empresários e cientistas políticos, uma possível eleição de Lula não deverá impactar o mercado financeiro brasileiro.

Pelo menos, este é o discurso de grandes gestores de ações do país.

No entanto, em primeiro lugar, vale destacar os principais pontos que os investidores de renda variável precisam se atentar e porque uma eleição de Lula não deverá impactar o mercado financeiro.

Os preços de ações seguem o lucro das empresas no longo prazo

Para investidores fundamentalistas, esta frase é, talvez, o “mote” mais famoso quando se trata do mercado de renda variável.

Com isso em vista, seja Lula ou Bolsonaro o próximo presidente do Brasil, especialistas acreditam que, apesar dos discursos pré-eleições serem completamente diferentes, uma vez que as eleições forem finalizadas, o próximo presidente terá como um dos principais objetivos tratar a situação fiscal do país.

Nesse sentido, esta tratativa para melhorar a situação fiscal do país, provavelmente, virá em forma de impostos, seja pelo candidato da direita ou pelo candidato da esquerda.

Como consequência, se os preços das ações seguem os lucros das empresas no longo prazo e ambas as vias, que deverão seguir para um segundo turno neste ano, irão tomar medidas similares em relação ao quadro fiscal do país (essas medidas que podem afetar os lucros das empresas), especialistas em ações enxergam como neutra uma vitória de Lula nas eleições.

Os preços das ações estão baratos

Um dos indicadores mais utilizados entre investidores de ações é o preço negociado de uma empresa na bolsa dividido pelo o seu lucro, em um determinado período. Na prática, este indicador demonstra quanto anos demora para o investidor recuperar seu capital investido. 

Sendo assim, quanto maior o indicador Preço/ Lucro (P/L), mais caros estão os ativos de risco e vice-versa.

De forma prática, o principal índice de ações do mercado brasileiro, o Ibovespa, está sendo negociado a aproximadamente 5,6x de P/L. Em contrapartida, nos últimos 10 anos, este mesmo indicador teve uma média de aproximadamente 10x.

Ou seja, de forma generalizada, as principais ações do mercado brasileiro estão sendo negociadas a quase metade dos preços históricos.

No entanto, é importante ressaltar que o Ibovespa representa, aproximadamente, 90 empresas e cada uma delas possui um peso diferente para o cálculo de número de pontos do índice (que hoje se encontra em 96,6 mil pontos).

Dado isso, é essencial avaliar individualmente cada empresa e cada setor antes de realizar investimentos em ações.

Estamos em um momento de stress nacional e mundial, o que gera desconforto e volatilidade

O risco de recessão global deixa grande parte dos investidores e empresários com receio.

Tanto no âmbito interno quanto no externo, as altas inflações e taxas de juros, a guerra entre Ucrânia e Rússia, a busca por maior assistencialismo por parte dos governos e, no Brasil, ano de eleições presidenciais, fez com que investidores migrassem suas posições de risco para aplicações mais conservadoras.

Com isso, dado o cenário de incerteza, vimos os principais mercados de ações do mundo derreterem no primeiro trimestre de 2022.

No entanto, a pergunta que os especialistas têm feito é: Por quanto tempo este cenário irá permanecer? E, talvez mais importante, é possível que o mercado esteja precificando um cenário pior do que realmente estamos enfrentando?

Qual a força do futuro presidente no mercado de ações brasileiro?

Apesar de ser uma pergunta complexa de ser respondida, sabemos que o cargo mais alto do governo precisa de alianças para passar suas pautas em congresso.

Com isso, partindo do pressuposto que o próximo presidente precisará agir com cautela em relação às finanças do país, gestores enxergam que independente de quem será o próximo presidente, os rumos mais importantes para restabelecer uma economia sustentável deverão seguir objetivos similares, o que reforça a tese de que uma possível eleição de Lula não deverá impactar o mercado financeiro.

O que alguns dos principais especialistas em ações têm dito sobre o assunto:

Duda Rocha da Occam – “Em ambos os casos, Lula ou Bolsonaro, nós não vamos sair dos trilhos...Ganhe quem ganhar, parte do ajuste fiscal vira com imposto”

Fernando Siqueira da Guide – “Entre Lula e Bolsonaro são dois discursos diferentes, mas que no final ficam muito parecidos e que não deveriam impactar tanto no mercado”

Gustavo Pessoa da Legacy – Em relação à valorização da bolsa brasileira “qualquer um dos dois”

Valor Econômico
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